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A launch and a bird. mhmm

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Coringa “Feira da Fruta” > Coringa “Dark Knight”.

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Celular de funkeiro tem … Mp3, camera, radio, coador de café, morfador, relogio ben 10, TUDO ! Menos fone de ouvido!.

(Source: whoisalan)

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interwar:

David (detail)
Carrara marble
Michelangelo, 1504

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David (detail)

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Michelangelo, 1504

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O homem mais feliz de Nova York

Smile anda pela rua com seu grande e belo sorriso branco, todos o cumprimentam, todos conhecem Smile, ele é o homem mais feliz de Nova York.

Como muito ele é um imigrante, chegou na Big Apple sem nada e agora era dono de uma frota de limusines, Smile  poderia ter muito mais se não usasse boa parte do seu dinheiro para ajudar outros que chegam como ele até a capital do mundo (na verdade talvez seja o contrario, mas você não acreditaria em mim).

Todos os dias ele sai de sua casa até o escritório, no caminho expõem seu grande sorriso e não existe uma só pessoa que conheça Smile que não sorria de volta, sempre tem doces para as crianças, sempre tem tempo para ouvir as historias dos mais velhos. Obviamente Smile não pode ajudar todos, muito menos aqueles que não se esforçam para ser ajudados.

Amanda é a nova namorada de Smile, ela se apaixonou pelo seu sorriso, como tantas outras já haviam se apaixonado, Smile se apaixonou pela historia dela (como poucas vezes havia ocorrido).

Amanda se acorda no meio da noite e vê aquele homem de quase 2 metros de altura sentado na cama chorando como uma criança, Smile fala sozinho o dialeto de sua tribo na áfrica, o que é incompreensível para Amanda, que o abraça e pergunta o que esta havendo.

- Quando você sobrevive a tudo e volta a ter a chance de viver, a vida tem outro valor Amanda, por isso a maior parte do tempo eu sorrio, já não tenho mais nada a temer, mas existem as raras vezes aonde o passado vem me assombrar.

Smile conta a Amanda sobre a terrível guerra-civil em seu país, de como transformaram ele em uma criança-soldado um ‘combatente da liberdade’. Smile e seus companheiros sofreram todo o tipo de abuso, não tinham famílias, não tinham dignidade, as drogas eram a recompensa por sobreviver a mais um combate, tinha 14 anos quando a guerra terminou, desde os 10 seu brinquedo era um fuzil que mal conseguia carregar. Smile matou, não só soldados inimigos, como pessoas indefesas, mulheres e crianças, por drogas, lavagem cerebral, medo de ser morto pelos chefes e nada disso podia ser apagado de sua memória.

Smile sobreviveu a guerra, foi levado até Nova York, mas ele sabia que não era o homem mais feliz de Nova York, ele era apenas um homem que sabia o que era a felicidade, que era muito fácil de obter, mas para isso era preciso conhecer o seu inverso, para saber aonde fica o paraíso era preciso ter pisado no inferno. Assim como o que é considerado muito frio para um esquimó é diferente do muito frio para um beduíno do deserto.

Smile andava sorrindo pelas ruas de Nova York na manhã seguinte, cada vez que ele respirava, cada sorriso que ele recebia de volta, cada aceno o deixava mais feliz, ele não era o homem mais feliz de Nova York, ele apenas sabia que muitos ali poderiam o ser, bastava apenas desejar.

A noite mais fria

Era a noite mais fria, a ultima noite, o próprio tempo estava cessando, era à noite em que o universo se extinguia em partículas sem vida, que já não vibravam mais.

Não era a primeira noite, nem seria a ultima, e como em todas as outras ele lembrava dos dias gloriosos de infinitos sois e infinitas civilizações, criando, imaginando e tentando entender tudo aquilo. Civilizações que lutavam por algo que chamavam de vida, algo que queriam que fosse eterno, em sua incapacidade de entender o que é a eternidade.

Cada pequena vibração era pré-sentida, sentida, memorizada, relembrada, cada voz, cada eco, cada ruído, sentimentos complexos, reações complexas, fenômenos cataclísmicos únicos e avassaladores, cada sorriso ou equivalente, espasmo de vida, e pequeno gesto banal.

E então com um simples gesto inconcebível para nos reles humanos, ele agrupava tudo que existia em um pequeno ponto, que por ser instável de mais inevitavelmente acabava explodindo e gerando um novo universo, só poderia observar o que se passaria a seguir, na esperança que um dia, em alguma nova existência aqueles pequeninos seres conseguissem explicar o que ele próprio era.

Uma promessa

Cansado ele estava, cansado de tanto andar, ele se senta embaixo de uma arvore, abre seu cantil e toma alguns goles de água. As mãos velhas secam a testa suada, por todo o corpo estão marcas do tempo, cicatrizes de quem nunca soube o que é uma vida confortável.

Cansado ele estava, cansado da vida, mais alguns passos dentro da mata, o rifle sobre os ombros, o chapéu reduzia o calor do sol, ele estava a dias em busca de alguma caça para matar a fome. O velho já não se lembrava mais do som da própria voz (ou pelo menos queria pensar que isso era possível), pois apenas murmurava algo quando sentia alguma dor ou frustração.

O silencio era total, bem como a solidão, dias e dias na mata, cada vez menos tempo dentro de sua simples cabana. Um silencio bem diferente daqueles sonhos horríveis que ele ainda tinha, dos quais era incapaz de fugir todas as noites.

Cansado ele estava, apenas 5 balas para o rifle, o rifle ficava cada vez mais pesado a cada ano, a cada dia e a cada hora, bem como o sol se tornava mais quente.

A águia voava alto, coelhos não haviam, nem porcos selvagens, ou qualquer outro animal, valia a pena tentar, mãos tremulas, era grande a distancia, um tiro e o bicho começou a cair rodopiando do céu.

Correu em direção ao pássaro abatido, ouvindo seu piar agitado, quando se aproximou percebeu o inusitado, não havia acertado o tiro, mas o barulho foi tão assustador para o pobre animal que ele acabou prendendo a garra da pata direita sobre um dos furos das narinas no bico. O velho com cuidado desvencilhou o animal daquele seu bizarro contorcionismo e o deixou ir embora, uma ave de rapina não mereceria um fim tão sem nobreza e ele ainda tinha algumas batatas para cozinhar.

Cansado ele estava, apenas 4 balas, teria que voltar para a cabana em busca de mais munição quando amanhecesse.

Sentado sobre o fogo naquela noite ele ainda ria alto do estranho ocorrido, ninguém vai acreditar disse (quebrando seu silencio auto-infligido) para novamente se calar por completo ao perceber que não havia ninguém para ele contar o fato.

Sentiu-se culpado por rir, em sua “vida” não havia mais espaço para alegrias, apenas um dia após o outro aguardando o inevitável fim.

Ele puxa uma pequena foto com rostos familiares, seus olhos se enchem de água, mas já faz tanto tempo que ele realmente já não é mais capaz de chorar.

Na madrugada gritos de dor, soluções e pedidos de suplica, rugidos metálicos, explosões e crianças chorando, mas não há ninguém que possa compreender as angustias que fazem aquele velho se debater durante a noite.

O sol do meio dia, ele estava na metade do caminho de volta à cabana, em breve teria que atravessar a estrada que cortava aquelas terras desoladas, mal sabia que algo mais inusitado do que o acontecido com a águia ocorreria.

Ao cruzar a mata fechada e ver a estrada a alguns metros o velho vê também um carro parado (aonde obviamente haveriam pessoas, o que ele definitivamente deseja evitar).

- Meu senhor! Que bom encontrá-lo! O marcador de combustível ficou louco e agora estamos aqui, sem gasolina, e nossos telefones não funcionam aqui, o senhor pode nós ajudar?

- Sim, (Disse o velho da forma mais seca possível) tenho um galão na minha casa, com ele vocês chegam até a cidade.

O jovem casal se sentiu aliviado, afinal estar sem gasolina em uma estrada no meio do nada com um bebe de colo não é nada tranqüilo para ninguém. O rapaz acompanhou o velho mata a dentro, ele tinha medo de deixar a mulher e o filho sozinhos ali, mas não havia outro jeito. Sua cabeça se enchia de questionamentos, num primeiro momento ao ver aquele velho armado se sentiu ameaçado, mas não teve escolha se não perguntar em tom amigável se ele poderia ajudar. Agora o rifle lhe deixava levemente mais aliviado, afinal se quisesse fazer algum mal já teria feito aos dois, mas ao mesmo tempo pensava que poderia ser um velho maluco, e não apenas um ladrão, poderia tentar matá-lo longe da mulher e depois voltar para fazer todo tipo de maldades com a mulher e o bebe, ao se despedir da mulher deixou com ela um canivete, deu um beijo em sua testa e forçou um sorriso para demonstrar que estava tudo bem.

Ao longo do caminho o rapaz falava sem parar, contando o por que se dirigia a Santa Clara, que lá teria um novo emprego, que amava sua esposa e seu pequeno filho, falava sobre o tempo, o calor, o problema no carro, como não estava acostumado a caminhar tanto…

- Sabe que eu não sou de muita conversa (disse o velho, gerando um silencio constrangedor no rapaz).

Depois de alguns minutos percebeu que o rapaz tagarelava sem parar por estar com muito medo e não por ser um idiota, embora o velho ainda o considerasse um.

- Esta tudo bem garoto, vai dar tudo certo lá em Santa Clara, eu apenas não sou de falar muito.

O rapaz se preparava para perguntar algo, quando se deu conta, do motivo daquele pobre velho ser tão ranzinza, estava claro em suas roupas surradas, em sua postura.

Ao chegar na cabana o velho pegou o galão e disse:

- Agora vem a parte difícil, caminho de volta carregando 30 litros

O rapaz nem pensou muito nisso, apenas correu para ajudá-lo a carregar, o importante era levar sua esposa e filho até a cidade, não importava se teria que carregar 3 litros ou 300.

Estava contente tudo caminhava para dar certo, o cansaço era vencido pelo desejo de chegar logo, e o velho havia deixado o rifle na cabana, o que o deixava muito mais tranqüilo.

Então ele ousou perguntar:

- O senhor é um veterano da guerra civil, não é?

- Sim, eu estive lá, mas não quero falar sobre isso.

- Desculpe é que meu pai sempre me falou dos heróis da batalha da Libertação, e pelo visto o senhor foi um deles.

- Não existem heróis garotos, apenas homens tentando sobreviver, e eu paguei um preço alto de mais para estar aqui, matar e ver morrer todos os que eu amava, não existem heróis nesse mundo.

- A estrada fica depois daquela arvore é só seguir reto, deixa o galão na estrada que eu pego depois.

Fazia muito tempo que ele já não queria mais estar vivo, mas havia prometido aqueles que amava que não se entregaria, tantas décadas depois apenas estava vivo para cumprir a promessa, ele apenas esperava sua hora chegar, abandonou a cidade e buscou o isolamento, acreditava que assim não sentiria mais dor, não se lembraria mais daqueles dias horríveis aonde era matar ou morrer, não foi assim que aconteceu. A dor o perseguia em todos os lugares, todos os dias.

Não podia desistir, não podia se render, mas não havia mais nada naquele mundo que ele desejasse, mal sabia aquele jovem rapaz que havia lhe dado um pouco de esperança, afinal agora ele era capaz de desejar que aquela jovem família tivesse um destino diferente do dele, e esse sentimento tão puro e simples para nós, tornou a vida daquele pobre velho bem menos pesada. Pois agora ele se lembrava que a natureza embora não seja boa e generosa também não é má, sempre haverá esperança para alguns, sempre haverá renovação, talvez o tempo dele tenha acabado para que novos tempos começassem.

Uma historia ainda incompleta

Baseado em fato real ocorrido na guerra da Georgia.

2008 tropas russas invadem o norte da Georgia, Nikolai é um coronel GRU e está junto c/ seus homens procurando soldados georgianos escondidos nos escombros da cidade destruída, no subsolo de um estacionamento eles vêem uma figura esguia.

Os soldados apontam suas armas em direção ao homem, que levanta os braços de vagar, e se vira, Nikolai percebe que é um velho, certamente faminto. O velho abaixa os braços e lentamente levanta a camisa, o que deixa os soldados muito nervosos e prestes a atirar.

Nikolai percebe não haver risco algum e pede para os homens se acalmarem, quando o velho termina de tirar a camisa fica visível em seu corpo magro e desgastado duas tatuagens, uma representando Lenin e outra Stalin (Mikhail era veterano do exercito soviético, Georgia e Russia faziam parte da União Sovietica o que tornava o velho Mikhail um camarada de armas daqueles jovens).

— Tudo bem vovô! Você pode ir para casa, ninguém aqui lhe fará mal, e leve um pouco de comida e água – Disse Nikolai ao velho que foi saindo tranquilamente.

Nikolai se lembrava de seu avô, um herói que lutou bravamente contra os nazistas durante a 2ª guerra, aparentemente aquele velho havia lutado também, talvez até junto ao seu avô, tentava se lembrar das historias que ele contava dos companheiros, se havia algum que fosse como aquele pobre velho. Um exercício mental inútil é verdade, que logo Nikolai ignorou para se ater a coisas mais importantes.

Mikhail andava pela cidade arrasada, e se lembrava de todas as outras cidades arrasadas que havia visto, a muito tempo atrás, no tempo em que ele lutava, lutava contra um mal que desejava escravizar a todos, lutava contra o nazismo. A ultima foi Berlim, Mikhail esteve lá na vitoria e foi lá que ele conheceu Michaela.

É noite, Nikolai olha em seu celular fotos de Tania, bela e jovem Tania.

Tania dizia Nikolai fazia aflorar o que havia de melhor nele, se ele era considerado por todos um homem honrado era porque havia Tania para lhe domar. Nikolai também pensava nos horrores da guerra, não conseguia tirar a imagem do velho de sua cabeça, e de como os soldados nada mais eram do que simples maquinas para os poderosos.

A fome já não era tão grande para Mikhail, e ele podia se dar ao luxo de dormir e sonhar um pouco, dentro daquele prédio destruído. Sonhar com o passado, Michaela estava muito assustada, afinal certamente soldados russos se aproveitariam de uma jovem alemã, mas aquele jovem lhe estendeu a mão de forma tão delicada e lhe ofereceu pão, muito diferente do que ela já havia escutado sobre os russos. Mikhail teve que deixar claro inúmeras e inúmeras vezes a seus homens que as alemãs seriam tratadas com respeito, não importava o que os nazistas haviam feito com suas mulheres, eles não seriam iguais aos nazistas, pelo menos não os homens sobre o comando de Mikhail.

Quando Nikolai fosse embora da Geórgia começaria a procurar emprego em outro lugar, assim ele pensava, e quando Tania terminasse a faculdade eles iriam para America ou Europa, e teriam filhos, filhos que não precisassem ser soldados, filhos que pudessem ser aquilo que quisessem, não como Nikolai, mas como Tania.

 Então houve o adeus, Mikhail sabia que era o único jeito, sabia que era a única forma, ele e Michaela nunca poderiam ficar juntos, ele havia conseguido com que ela embarcasse para a America (vantagens de estar no local certo para salvar um comandante americano de um atirador) mas sabia que como um herói da URSS nunca poderia sair de lá.

 Em algum memomento pretendo terminar essa historia por enquanto é só isso.